Nos idos dos anos 60 e 70 existiam nas delegacias de polícia do Sertão, os delegados suplentes, pessoas leigas que prestavam serviços tirando férias dos delegados titulares.
Eram pessoas de condutas ilibadas, estimadas e respeitadas na cidade. O delegado titular geralmente nomeava três suplentes e ambos tinham o mesmo poder de polícia do bichão….
Em Tabira, na terra das tradições, um deles era o saudoso Cícero Mascena. Gente fina e de boa família. Pois bem, um belo dia, o delegado precisou se ausentar e Ciço assumiu a delega.
De cara, um caso pra resolver de uns animais que haviam invadido a roça de um agricultor residente da zona rural. A vítima ao ser ouvida relatou a Mascena: – olhe delegado, o bichos do meu vizim entrou na minha plantação e comeu o mi e feijão, restou somente as paias.
O delegado arribou o óculos e respondeu: – você tem razão e todo direito de ser ressarcido dos prejuízos. Ao ser intimado, horas depois, o dono dos animais declarou: – minhas criação não invade terra de ninguém doutor, acontece que a roça dele num tem cercado, aí os animal se fartam do que encontram pela frente.
Ciço espiou o camarada nos olhos e concluiu o interrogatório: você tem razão rapaz, onde já se viu plantar ao léo sem um fí de arame para preservar a roça. Tá liberado, pode ir embora!
Nisso, a esposa que havia escutado os dois interrogatórios, se dirigiu fervorosa a Ciço: – Mas tu num tem vergonha não né, onde já se viu isso rapaz, um ou outro tem que está errado, coisa mais feia!
E o delegado Ciço Mascena completou: – calma muié você também tá coberta razão! E ela acabou caindo na graça do marido. São Causos & Contos do nosso povo pajeuzeiro. Uma homenagem rememorando os grandes homens da família Mascena.

