Apesar de ampliar sua presença no interior, com entregas e ordens de serviço, a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), não consegue converter sua gestão em vantagem política. As pesquisas continuam mostrando João Campos (PSB), prefeito do Recife, à frente na disputa pelo Palácio do Campo das Princesas, mesmo sem ter se lançado oficialmente pré-candidato.
O caso é emblemático no Pajeú, onde as lideranças ligadas a Raquel relatam sentir “na pele” a falta de espaço para indicar nomes. Dos cargos mais simples — como maqueiros, merendeiras, porteiros de escolas, vigilantes, motoristas e auxiliares de serviços gerais — aos de maior peso político, a máquina estadual continua em boa parte sob domínio socialista. A mesma queixa se repete em outras regiões, gerando um clima de descontentamento na base governista.
Esse modelo de condução lembra o erro estratégico cometido por Jair Bolsonaro em 2018. Mesmo tendo vencido as eleições, o então presidente não substituiu quadros ligados ao PT em cargos estratégicos, desde funções menores até postos de comando em universidades e autarquias federais. Ao não abrir espaço para os bolsonaristas, manteve estruturas ocupadas por adversários, o que enfraqueceu sua rede de apoio e contribuiu para a derrota em 2022, quando Lula retornou ao poder.
Raquel corre risco semelhante. Ao priorizar técnicos e aliados sem densidade eleitoral, pode comprometer sua sustentação política no momento em que mais precisará de apoio. Se não corrigir o rumo, a governadora pode transformar a eleição de 2026 em um embate desigual, mesmo detendo hoje o poder da caneta.
No fim, é somente uma opinião deste colunista que acompanha a política com atenção e não tem medo de escrever a verdade. Aquele que acordar primeiro, acorde Raquel. O danado é que dizem que ela não escuta ninguém…
Itamar França é Técnico em Contabilidade, professor e blogueiro, com experiência no acompanhamento da política regional. É também Sargento da Polícia Militar, fundador e proprietário do Instituto de Pesquisa Expressão (IPE), referência em levantamentos de opinião pública. Através de suas análises políticas, alia o olhar crítico de pesquisador à vivência prática no serviço público e no magistério, contribuindo para o debate qualificado sobre os rumos da sociedade e da política pernambucana.
