O uso de canetas para o tratamento da diabetes e da obesidade tornou-se um fenômeno global devido à sua eficácia na redução de peso. No entanto, especialistas alertam que a interrupção do tratamento, sem uma mudança efetiva de hábitos, resulta na retomada do peso corporal, reafirmando a necessidade de uma abordagem multidisciplinar e de longo prazo.
A compreensão desse cenário foi consolidada por uma revisão sistemática publicada no BMJ. Os dados, que se tornaram públicos em 12/09/2026, indicam que a obesidade deve ser tratada como uma condição crônica, comparável à hipertensão, onde a constância é determinante para a saúde.
O endocrinologista Paulo Rosenbaum, do Einstein Hospital Israelita, explica que o reganho de peso não reflete uma falha de caráter ou falta de empenho do paciente, mas sim uma resposta biológica. “O organismo tenta recuperar o peso perdido após a interrupção da medicação, pois ativa mecanismos de defesa que foram cruciais para a sobrevivência humana em épocas de escassez”, pontua.
Os fármacos, como a semaglutida e a tirzepatida, agem sobre o hormônio GLP-1, regulando a fome e a saciedade. Quando o tratamento é suspenso, a eficácia clínica diminui. Segundo o levantamento do BMJ, que analisou 37 estudos com mais de 9.300 adultos, os pacientes recuperaram, em média, 0,4 kg por mês após encerrarem o uso dos medicamentos.
Além da balança, os indicadores metabólicos — como glicemia e pressão arterial — também tendem a sofrer alterações negativas após o término do tratamento. Para garantir resultados sustentáveis, a equipe médica ressalta que as canetas devem ser vistas apenas como uma das ferramentas dentro de um plano que inclui alimentação rica em proteínas e fibras, atividade física regular e controle do estresse.
Não existe, atualmente, uma forma de prever com precisão absoluta qual paciente manterá o peso após a suspensão, embora o reganho seja geralmente menor em casos de obesidade menos grave. “O sucesso depende de uma estratégia construída entre paciente, médico e equipe multiprofissional”, conclui Rosenbaum.
