O duelo pelo Governo do Estado vem com cara de briga de titãs. De um lado, a governadora Raquel Lyra (PSD), que vem mostrando serviço na gestão. Entrega obras, mantém aprovação acima de 60% na capital e no interior, mas ainda patina quando o assunto é intenção de voto. Falta a ela o que sobra no adversário: carisma e jogo de cintura político. Técnica, focada na administração, Raquel carrega também o peso de uma equipe que não tem conseguido transformar gestão em palanque.
Do outro lado está João Campos, bem posicionado nas pesquisas e com habilidade política reconhecida. Mas nem tudo são flores. O nó está na montagem da chapa para o Senado. Com quatro nomes na mesa e apenas duas vagas, a escolha promete dor de cabeça e possível desgaste. Soma-se a isso um PT rachado em Pernambuco, o que pode embaralhar ainda mais o jogo.
Enquanto João quebra a cabeça para fechar a chapa, Raquel observa. Curiosamente, do lado dela, nem nomes para o Senado são ventilados com força.
Por enquanto, é só aquecimento. O jogo mesmo começa a esquentar depois de junho. Até lá, é treino, articulação de bastidor e muita conversa para tirar a bola do centro e dar o primeiro chute rumo a 2026.
A MUDANÇA FORTALECE OU ISOLA? – A ex-deputada Marília Arraes trocou o Solidariedade pelo PDT e já afirmou que é candidata ao Senado e “não tem volta”. Mas o que essa mudança agrega ao projeto? No Solidariedade, ela tinha mais influência e controle partidário. No PDT vai precisar construir base e palanque praticamente do zero.
Pesquisa ajuda, mas não resolve sozinha. A segunda vaga na chapa ligada a João Campos segue em aberto, com a reeleição de Humberto Costa dada como certa.
Se não entrar na composição principal, Marília pode acabar isolada e ainda deixar aliados de João Campos insatisfeitos. Em política, decisão precipitada costuma cobrar fatura lá na frente…
CANDIDATURA ISOLADA É INVIÁVEL – A posição de Marília demonstra disposição para manter o projeto. No entanto, falta capilaridade e estrutura partidária suficientes para sustentar uma candidatura avulsa ao Senado com competitividade estadual.
Embora apareça bem pontuada nas pesquisas, o entendimento no meio político é que Marília não agregaria tanto à chapa quanto outros nomes, como é o caso do deputado federal Eduardo da Fonte (PP), com forte estrutura partidária, e até o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (UB) que vem enfrentando desgaste após repercussões nacionais recentes.
Também é considerada consolidada a presença do senador Humberto Costa (PT) como um dos nomes naturais na composição majoritária.
No desenho atual, a tendência é de que a chapa de João seja montada com foco em densidade eleitoral, estrutura e alianças amplas. Nesse contexto, a entrada de Marília se torna cada vez mais improvável, não por falta de intenção, mas por ausência de grupo político robusto que sustente o projeto até o fim.
FLÁVIO CRESCE – O instituto Paraná Pesquisas aponta que o pré-candidato da oposição Flávio Bolsonaro (PL) ganhou 7,4 pontos desde outubro, enquanto Lula (PT) perdeu 2,9 pontos. No levantamento (BR-07974/26) de fevereiro Flávio (44,4%) virou contra o petista (43,8%) pela primeira vez.
O TEMPO E O PODER DE LULA – Se Lula vencer a eleição, ao final do seu quarto mandato (16 anos), em 2031, o petista terá sido chefe de governo por 40% dos anos de democracia no Brasil. Só perde para o ditador Getúlio Vargas (18 anos).