Apesar de aparecer na liderança em todos os cenários da pesquisa Datafolha para o Senado divulgada nesta sexta-feira (6), Marília Arraes (Solidariedade) não desponta, ao menos neste momento, como peça provável na composição majoritária do grupo político liderado por João Campos (PSB) em Pernambuco.
Prima do prefeito do Recife e adversária direta em uma disputa municipal, Marília construiu trajetória marcada por embates públicos e por forte identificação com o eleitorado de esquerda. Esse capital político lhe garante boa pontuação nas sondagens, mas, paradoxalmente, pode limitar sua utilidade estratégica dentro de uma eventual chapa encabeçada por João. A avaliação nos bastidores é de que seus votos estariam concentrados em um campo ideológico já próximo ao do prefeito, oferecendo baixo potencial de ampliação do arco de alianças.
Nesse contexto, nomes como Miguel Coelho (UB), Eduardo da Fonte (PP) e até Sílvio Costa Filho (Republicanos) surgem como alternativas com maior capacidade de soma eleitoral. Miguel Coelho, em especial, é visto como opção de peso por dialogar com o centro-direita e possuir reduto consolidado em Petrolina e região do São Francisco — fator considerado estratégico para ampliar a capilaridade da chapa no interior do estado.
A leitura predominante é que, embora bem posicionada nas pesquisas, Marília Arraes enfrenta um cenário em que viabilidade eleitoral e viabilidade política não caminham necessariamente juntas. A tendência, hoje, aponta para sua exclusão da disputa ao Senado dentro desse bloco, abrindo espaço para que concentre forças em outra frente eleitoral.
Nos bastidores, ganha força a possibilidade de Marília direcionar seu projeto para a Câmara Federal, possivelmente em dobradinha com Maria Arraes, que é cotada para a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Assim, mesmo fora da majoritária, a ex-deputada seguiria como nome relevante no tabuleiro político estadual, preservando capital eleitoral e influência partidária para os próximos ciclos.