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Quando a base se divide, a oposição agradece

No jogo político, a oposição nem sempre avança por mérito próprio. Em muitos casos, ela cresce quando a base governista se fragmenta. É exatamente esse movimento que começa a ganhar contornos mais visíveis no Sertão do Pajeú, especialmente em Afogados da Ingazeira, onde disputas internas envolvendo quadros ligados à Casa Civil do Governo de Pernambuco têm provocado desgaste no campo alinhado à governadora Raquel Lyra.

Esse cenário chama atenção porque atinge diretamente um dos nomes que mais têm contribuído para fortalecer o governo no interior do Estado. Marconi Santana, que declarou apoio a Raquel Lyra ainda no segundo turno da eleição de 2022, tornou-se desde então uma das principais pontes políticas entre o Palácio do Campo das Princesas e o Sertão. Sua atuação constante, marcada por diálogo e presença, ajudou a ampliar a base do governo e a consolidar apoios estratégicos na região.

O ponto central da crítica não está na existência de divergências naturais dentro de qualquer campo político. O problema surge quando passam a ocorrer investidas para tensionar ou enfraquecer apoios já consolidados. Na prática, lideranças que haviam fechado posição com Marconi Santana, nome da situação e amplamente reconhecido por sua capacidade de articulação, começaram a ser abordadas para rever compromissos, gerando ruído e instabilidade dentro da própria base governista.

Os apoios construídos por Marconi não surgiram por acaso. Eles são fruto de uma trajetória política consistente, marcada pela capacidade de aglutinar prefeitos, ex-prefeitos, vereadores e lideranças comunitárias em torno de um projeto comum. Seu crescimento no Pajeú reflete exatamente essa habilidade de unir, somar forças e ampliar convergências, algo cada vez mais raro na política contemporânea.

Quando esse conjunto de alianças passa a ser questionado ou tensionado por setores do próprio campo governista, o efeito é imediato. A base perde coesão, o discurso se fragiliza e a oposição passa a ocupar espaços que antes estavam consolidados. Não se trata de afirmar que haja uma ação deliberada em favor da oposição, mas o método adotado produz esse resultado de forma inevitável.

Como ensina a prática política, quando a base se divide, a oposição agradece. Nesse contexto, quem se beneficia é o prefeito do Recife, João Campos, principal liderança da oposição estadual, que vê seu campo avançar não por articulação direta no Sertão, mas pela desorganização do lado governista.

O incômodo com o crescimento de Marconi Santana ajuda a explicar parte desse movimento. Seu nome ganhou densidade regional, ampliou apoios e passou a exercer papel de destaque na sustentação política do governo Raquel Lyra no interior. Em vez de esse avanço ser incorporado como ativo estratégico de um projeto maior, acabou gerando disputas internas que apenas enfraquecem o conjunto.

O alerta é claro. Governo forte exige base unida. Desconstruir apoios, tensionar alianças e confrontar lideranças que ajudam a sustentar o governo no território não fortalece ninguém. Ao contrário, abre espaço para que a oposição avance sem precisar fazer esforço algum, enquanto nomes como Marconi Santana seguem demonstrando, na prática, a importância da unidade, da lealdade e da capacidade de agregar forças.

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