A disputa pelo Senado em Pernambuco pode seguir um caminho diferente do que muita gente espera. Pela primeira vez, existe a possibilidade real de um nome se eleger sem estar diretamente ligado aos dois principais palanques do estado, liderados por Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB).
De um lado, o grupo de João já se desenha com Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT), uma chapa puramente esquerda. Do outro, aparecem nomes mais ligados ao centro-direita, como Miguel Coelho (UB) e a possibilidade da vice-governadora Priscila Krause (Cidadania) entrar na disputa.
Correndo por fora, surge Anderson Ferreira (PL), que já mostrou força nas urnas. Em 2022, ele ficou em terceiro lugar na disputa pelo governo, por pouco não indo ao segundo turno.
Nesse cenário, tem um detalhe importante: enquanto a esquerda pode acabar dividindo votos entre mais de um nome, Anderson aparece como um candidato com eleitorado mais fechado, principalmente entre os que se identificam com a direita mais firme. Isso pode dar a ele uma vantagem na contagem final.
Um exemplo recente reforça esse alerta. Em 2022, Gilson Machado, passou de 1,3 milhão de votos para o Senado. Isso mostra que o jogo pode virar, principalmente quando um lado concentra votos e o outro divide.
Resumindo: a eleição pode surpreender. E quem entrar achando que o resultado já está garantido pode acabar pegando susto lá na frente.
Itamar França é analista político e dirige um instituto de pesquisa em Pernambuco.
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