A pré-candidatura de Socorro Pimentel, a deputada federal começa a ser analisada nos bastidores da política do Araripe não apenas como um projeto pessoal, mas como parte de uma engenharia eleitoral articulada pela governadora Raquel Lyra (PSD). A leitura é que o movimento pode ter como objetivo dividir e enfraquecer a base eleitoral da ex-prefeita Eliane Soares na região.
Fontes ouvidas pelo Blog do Itamar apontam que a entrada de Socorro na disputa federal foi justamente para fragmentar votos em um território onde Eliane mantém influência, o que favoreceria uma redistribuição estratégica de forças dentro do grupo alinhado ao Palácio do Campo das Princesas.
Nos bastidores, no entanto, o projeto não foi construído sem ruídos. A pré-candidatura de Socorro gerou divergências internas no próprio grupo político da família Pimentel. O ex-prefeito Raimundo Pimentel, seu marido, teria sido surpreendido com a decisão. A adesão ao convite feito pela governadora ocorreu sem comunicação prévia ou aval político de Raimundo, o que acentuou o desgaste interno.
A situação se torna ainda mais delicada para Raimundo Pimentel no atual cenário. Após perder protagonismo político em 2024, quando não conseguiu eleger seu sucessor, o ex-prefeito agora se vê diante de um novo desafio: deverá enfrentar, na disputa para deputado estadual, o candidato apoiado pelo atual prefeito Evilásio, que conta com a força da máquina administrativa municipal.
Diferentemente de eleições anteriores, Raimundo entra no jogo sem o controle do governo local, o que reduz significativamente seu poder de articulação e mobilização. A soma desse fator com as divergências internas expõe um grupo fragilizado, tentando se reorganizar em meio a uma conjuntura adversa.
O movimento de Raquel Lyra, ao incentivar a pré-candidatura de Socorro Pimentel, amplia o palanque do PSD no Sertão, reconfigura alianças, acirra disputas e aprofunda fissuras políticas que antes eram mantidas sob controle…