O prefeito do Recife, João Campos (PSB), passou a enfrentar um novo foco de desgaste político após o vereador Eduardo Moura (Novo) protocolar um pedido de impeachment na Câmara Municipal. A iniciativa tem como base a alteração no resultado de um concurso público para procurador do município, episódio que ganhou ampla repercussão nas últimas semanas.
O caso envolve a reclassificação de um candidato inicialmente inscrito na ampla concorrência para a cota de pessoas com deficiência (PCD), dois anos após a homologação do certame, o que resultou na sua nomeação em detrimento do candidato originalmente aprovado na vaga reservada. Diante das críticas, de pareceres técnicos contrários e da pressão de entidades de classe, a Prefeitura voltou atrás e deu posse ao primeiro colocado.
A gestão municipal sustenta que se trata de uma controvérsia estritamente jurídica e rejeita o que chama de exploração política do episódio. Ainda assim, o tema entrou no debate público e passou a ser incorporado ao discurso de adversários do prefeito, sobretudo em um contexto pré-eleitoral.
O pedido de impeachment ainda precisa ser analisado pela Câmara e não há, até o momento, definição sobre sua admissibilidade. Nos bastidores, a avaliação é que o processo tem poucas chances de avançar, mas pode ser utilizado como instrumento político para questionar a condução administrativa do prefeito e reforçar críticas relacionadas à impessoalidade e à transparência no governo.
A partir de agora, a expectativa é observar se o episódio ficará restrito ao campo jurídico-administrativo ou se será explorado de forma mais intensa na campanha eleitoral, somando-se a outras denúncias e questionamentos já feitos à gestão municipal. Resta saber se o caso terá fôlego para provocar desgaste efetivo na imagem de João Campos ou se será diluído diante de sua base política e dos resultados apresentados pela administração.

