Mercado de seguros arrecada R$ 224,29 bilhões no acumulado até setembro

A Susep (Superintendência de Seguros Privados) divulgou a Síntese Mensal dos principais dados relativos ao desempenho do setor de seguros até setembro de 2021. As informações foram obtidas a partir dos dados encaminhados pelas companhias supervisionadas. O documento é atualizado de acordo com o envio pelas empresas, podendo haver ajustes em função de recargas do Formulário de Informações Periódicas (FIP).

As receitas dos segmentos supervisionados pela Susep totalizaram R$ 224,29 bilhões nos primeiros nove meses de 2021, aumento de 13,2% em relação ao mesmo período de 2020, quando as receitas totalizaram R$ 198,07 bilhões. Somente em setembro de 2021, o setor arrecadou R$ 25,53 bilhões, o que corresponde a um crescimento de 4,9% em relação a setembro de 2020.

Os seguros de danos apresentaram crescimento de 14,8% na arrecadação de prêmios no acumulado de 2021, quando comparado com 2020. Foram movimentados R$ 66,15 bilhões nos nove primeiros meses de 2021, face aos R$ 57,64 bilhões do mesmo período em 2020.

Os seguros de pessoas foram responsáveis pela arrecadação de R$ 130,86 bilhões este ano, o que representa alta de 14,7%, ou R$ 16,8 bilhões, em relação aos nove primeiros meses de 2020.

Nos seguros de pessoas e danos, os prêmios diretos totalizaram R$ 197,01 bilhões no acumulado de 2021, alta de 14,7% em relação ao mesmo período de 2020, quando totalizaram R$ 171,70 bilhões.

O segmento de seguros de pessoas apresentou um total de prêmios de R$ 130,86 bilhões em 2021, o que representa aumento de 14,7% em relação aos nove primeiros meses de 2020. O seguro de vida teve crescimento de 16,7% em relação aos primeiros nove meses de 2020, correspondendo a um aumento de R$ 2,43 bilhões na arrecadação de prêmios.

Os seguros de danos apresentaram crescimento de 14,8% na arrecadação de prêmios em 2021, quando comparado ao mesmo período de 2020. Foram movimentados R$ 66,15 bilhões nos nove primeiros meses de 2021, face aos R$ 57,64 bilhões do mesmo período em 2020.

A arrecadação de prêmios no seguro auto atingiu R$ 27,53 bilhões no acumulado do ano, valor 7,2% superior ao do mesmo período em 2020. Na comparação entre setembro de 2021 e setembro de 2020, houve crescimento de 6,2%, com uma arrecadação de prêmios de R$ 3,26 bilhões.

Desconsiderando-se auto, o desempenho das demais linhas de negócio dos seguros de danos foi 20,8% superior no acumulado de 2021 em relação a 2020, crescimento de R$ 6,66 bilhões na arrecadação de prêmios. As linhas de negócio rural e patrimonial foram destaques, com crescimento acima de 30%. Os seguros das linhas responsabilidade civil (RC) e transporte também se destacaram, com crescimento acima de 20% na arrecadação de prêmios em 2021.

VGBL: As contribuições do VGBL em 2021 superaram as dos nove primeiros meses de 2020 em 15,3%, totalizando R$ 93,32 bilhões. As contribuições de setembro de 2021 ficaram 1,6% acima das de setembro de 2020. Já os resgates apresentaram aumento de 31,7% em relação ao acumulado de 2020 até setembro, totalizando R$ 67,95 bilhões. Nos nove primeiros meses de 2021, as contribuições superaram os resgates em R$ 25,37 bilhões.

Rural e Patrimonial: As linhas de negócio rural e patrimonial foram destaques, com crescimento nominal acima de 30%. Os prêmios acumulados em 2021 para o seguro rural atingiram o montante de
R$ 7,45 bilhões, crescimento de 45,0% em relação a 2020. Os seguros patrimoniais acumularam, no mesmo período, prêmios de R$ 3,59 bilhões, correspondendo ao crescimento de 30,1%.

Sinistralidade: Nos seguros de pessoas, excluindo-se o VGBL, a sinistralidade atingiu o patamar de 42,0% em setembro de 2021, após pico de 61,4% em maio.

A sinistralidade do seguro de vida, individual e em grupo, atingiu o valor de 62,4% em setembro deste ano, abaixo do valor observado em agosto, quando foi de 75,3%. O seguro de vida em grupo contribuiu com a queda na sinistralidade, atingindo o valor de 68,3% em setembro de 2021, abaixo do valor de 103,1% observado no pico de maio de 2021.

Nos seguros de danos, observa-se que a sinistralidade em setembro de 2021 apresentou queda em relação à sinistralidade de agosto de 2021, totalizando 51,5%. A sinistralidade no seguro auto ficou em 64,7% em setembro de 2021, frente aos 65,2% observados em agosto de 2021 e 59,9% em setembro de 2020. No acumulado do ano, a sinistralidade desta linha de negócio está em 59,6%.

Nos produtos de previdência, observa-se crescimento nominal de 3,3% na receita nos primeiros três trimestres de 2021, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

PGBL: O PGBL apresentou, no acumulado de 2021, crescimento nominal de 4,2% nas receitas em relação ao mesmo período de 2020, tendo arrecadado R$ 6,97 bilhões no período. Os resgates no acumulado de 2021 cresceram 13,5% em relação ao mesmo período de 2020, totalizando R$ 7,38 bilhões.

Previdência Tradicional: Observou-se, nas receitas dos nove primeiros meses de 2021, em comparação com o mesmo período de 2020, crescimento nominal de 0,8% nas contribuições de Previdência Tradicional. Os resgates, por sua vez, cresceram, totalizando R$ 1,52 bilhão em 2021, 11,9% acima do valor dos primeiros nove meses de 2020.

Mercado global de seguros pode bater recorde de prêmios em 2022

O último estudo sigma do Swiss Re Institute prevê que o setor de seguros globais atinja um novo recorde em prêmios globais até meados de 2022, ultrapassando US$ 7 trilhões. Isto vem antes do que a Swiss Re estimou em julho e reflete a crescente conscientização quanto ao risco, aumentando a demanda por proteção e o fortalecimento contínuo do preço de seguros nas linhas comerciais de seguros não-vida.

A perspectiva do setor de seguros também é apoiada por uma forte recuperação cíclica do choque da Covid-19, mas espera-se que o crescimento econômico desacelere nos próximos dois anos devido a uma crise de preços de energia em desdobramento, problemas prolongados do lado da oferta e riscos de inflação. Suporte estrutural de longo prazo para o crescimento é necessário, como mostra a análise de resiliência do Swiss Re Institute neste relatório sigma.

A mudança climática e a digitalização são tendências significativas que estão moldando a economia mundial e os mercados de seguros. A rápida descarbonização está se tornando imperativa e a abordagem da sociedade para a transição a uma economia verde determinará as perspectivas econômicas. O setor de seguros pode apoiar a transição para uma economia de baixo carbono, não apenas absorvendo perdas por desastres, mas também promovendo investimentos sustentáveis de infraestruturas que ajudam a mitigar o impacto de condições climáticas extremas voláteis.

A adoção de tecnologias digitais não está apenas desempenhando um papel no aumento do crescimento da produtividade global, mas a pesquisa da Swiss Re também descobriu que a pandemia transformou a receptividade dos consumidores para interagir digitalmente com os seguros, apontando para o potencial de crescimento. Uma terceira tendência significativa é a crescente divergência do crescimento dos países e dos indicadores socioeconômicos, como a desigualdade – um potencial risco adverso.

“A recuperação econômica que estamos vivendo é cíclica e não estrutural, com resiliência macroeconômica mais fraca hoje do que antes da crise da Covid-19. Como tal, devemos ser tudo menos complacentes. Dada sua capacidade e experiência para absorver riscos, a indústria de seguros é crucial para tornar as sociedades e economias mais resilientes. No entanto, para um crescimento inclusivo e sustentável, todos devem estar a bordo.

O “crescimento verde” só é sustentável se for também inclusivo. Temos uma oportunidade única de construir um sistema de mercado melhor. Para isso, todas as partes interessadas deverão aceitar e internalizar os custos da mudança climática, e os formuladores de políticas deverão levar em conta os efeitos distributivos de suas políticas econômicas entre suas populações. Isso ajudará a criar a transição que precisamos para um caminho sustentável rumo a uma economia líquida zero até 2050″, disse Jerome Haegeli, Swiss Re Group Chief Economist

O estudo sigma do Swiss Re Institute prevê que o crescimento do PIB global será forte em 2021, em 5,6%, diminuindo para 4,1% em 2022 e 3,0% em 2023. A inflação é o risco macroeconômico prevalecente a curto prazo, alimentada pela crise energética e por questões prolongadas do lado da oferta. Espera-se que a pressão de preços seja mais aguda entre os mercados emergentes e no Reino Unido e nos EUA.

A recuperação do mercado reflete a resiliência do setor de seguros. O Swiss Re Institute estima que os prêmios globais de seguro não-vida crescerão 3,3% em 2021, 3,7% em 2022 e 3,3% em 2023. Prevê-se que as taxas de catástrofes de propriedades melhorem em 2022, após um ano de perdas acima da média. Os preços de seguros de responsabilidade civil também devem ser mais fortes no próximo ano devido ao aumento da inflação social, enquanto as linhas pessoais devem se beneficiar dos primeiros sinais de melhoria dos preços do setor de automóveis nos EUA e na Europa.

Espera-se que o prêmio do seguro de saúde e médico global aumente, impulsionado pelo crescimento da economia dos EUA e por uma demanda estável do mercado avançado. Espera-se uma forte expansão nos mercados emergentes, com a China projetada para crescer 10% em cada um dos próximos dois anos, em grande parte impulsionada pela forte demanda por seguros médicos, incluindo coberturas de doenças críticas.

Espera-se que os prêmios de vida globais aumentem 3,5% em 2021, 2,9% em 2022 e 2,7% em 2023. Produtos de proteção devem ter uma forte demanda, apoiados por maior conscientização quanto ao risco, recuperação dos seguros em grupo e maior interação digital. Espera-se que os negócios de poupança cresçam moderadamente nos próximos dois anos, refletindo uma leve melhoria nos rendimentos de títulos públicos e uma recuperação no emprego e na renda das famílias. Como a pandemia continua a afetar o setor de seguros de vida, o excesso de mortalidade mostra uma tendência mista.

Ao contrário de muitos países europeus, os EUA experienciaram um contínuo excesso de mortalidade desde o início da pandemia e os benefícios pagos por morte aumentaram no primeiro semestre deste ano. As seguradoras de vida na América Latina têm enfrentado sinistros relacionados à pandemia sem precedentes, já que a região foi atingida de forma particularmente dura pela Covid-19. No Brasil, os sinistros do seguro de vida mais que dobraram em abril de 2021, enquanto a pandemia é o evento mais caro já registrado para a indústria de seguros local no México, totalizando US$ 2,5 bilhões em perdas seguradas em 18 meses até setembro de 2021. Isto supera a perda de US$ 2,4 bilhões do furacão Wilma em 2005.

O aumento da conscientização quanto ao risco está gerando uma demanda mais forte por proteção de seguro. O choque pandêmico destacou o importante papel que o setor de seguros desempenha como um absorvedor de riscos em tempos de crise, fornecendo alívio financeiro às famílias, empresas e governos. Ao mesmo tempo, as disrupções nas cadeias de produção mostram que é necessária uma melhor proteção para melhorar a resiliência da sociedade e o recorde de condições climáticas extremas este ano acrescentam urgência à corrida global para zero emissões líquidas.

Os consumidores também estão abertos ao seguro digital e online, e espera-se que cresça rapidamente. Entretanto, o aumento da desigualdade pode exacerbar a inflação social, que é definida como o aumento dos sinistros de seguros impulsionado por grandes custos de litígio.

“As condições de mercado sugerem que a dinâmica positiva de preços continuará em todas as linhas e regiões. O desenvolvimento de sinistros mais elevados, impulsionado pela inflação em todas as linhas de negócios, a inflação social contínua nos EUA e as taxas de juros persistentemente baixas serão os principais fatores para o fortalecimento de preço do mercado”, disse Jerome Haegeli. K.L. Revista Apólice