NÃO EMPOLGA – A passagem da governadora Raquel Lyra pelo Pajeú pouco chama a atenção. É bem longe de provocar aquele alvoroço que outros governadores já causaram quando vinham bater ponto na região. Discurso ela tem de sobra, diga-se de passagem, fala bem, é organizada no raciocínio e segura no microfone. O problema é que política não vive só de boa fala. Falta aquela chama que empolga a tropa.
Muita gente compara o estilo dela com o de Armando Monteiro: gente séria, cabeça boa, bem intencionada. Só que, na política, isso por si só não resolve. Armando tentou duas vezes chegar ao Palácio e não conseguiu. E Raquel, no quesito habilidade política, ainda parece patinar.
Nos bastidores, tem aliado que engole seco quando vê a governadora chegando. Teve gente que ficou esperando um gesto, uma ligação, uma atenção mínima lá atrás e acabou ficando no vácuo. Agora, com o calendário político começando a esquentar de novo, ela reaparece pelo interior tentando ajeitar a casa de olho na reeleição.
Mesmo com algumas feridas abertas, os chamados aliados aparecem nas agendas, tiram foto, batem palma e fazem presença. Mas por dentro, muitos ainda carregam a lembrança de 2024, quando sentiram falta justamente da governadora.
No fim das contas, Raquel agora resolve mostrar mais a cara pelo estado. A missão é clara: convencer o povo pernambucano de que merece mais um tempo no comando. Se vai colar ou não, só a estrada da política é quem vai dizer…
ELOGIA, MAS NÃO EMBARCA… – Embora o deputado federal Carlos Veras (PT) tenha feito elogios públicos à governadora Raquel Lyra (PSD), é bem difícil imaginar os dois no mesmo palanque em 2026. O motivo é simples e todo mundo sabe qual é. Raquel até agora evita se assumir como apoiadora do presidente Lula, e isso deixa muito petista de orelha em pé. Dentro do PT, tem gente que não quer nem ouvir falar em aproximação enquanto a governadora continuar nesse jogo de ficar em cima do muro.
Por isso, a tendência é que o partido caminhe mesmo com o projeto de João Campos (PSB), que já tem uma relação política mais alinhada com Lula. E nesse pacote pode entrar até o prefeito de Tabira, Flávio Marques (PT). Se ele acabar subindo no palanque de João, a explicação vai ser simples: seguir a orientação do partido.
Curioso é que, no meio dessa história, Raquel até fez alguns gestos políticos a Flávio. Diferente do que aconteceu em Afogados da Ingazeira com o grupo de Danilo Simões (PSD), que passou por um aperto daqueles quando a governadora simplesmente não apareceu na convenção da União Pelo Povo.
E detalhe: não foi por falta de estar perto, não. Raquel estava no próprio Pajeú, a menos de 50 quilômetros de Afogados. A turma da chapa majoritária até engoliu seco e deixou pra lá, tentando virar a página.
Mas na política a pergunta que sempre fica é outra: o povo também perdoa esse tipo de bolo ou guarda na memória? Porque, no interior, essas coisas costumam demorar a passar…
É DIFÍCIL… – Dentro do tabuleiro de João, não parece existir espaço para Marília na chapa majoritária. Mesmo com o presidente do PDT, Carlos Lupi, garantindo que ela deve se filiar ao partido para disputar o Senado, o cenário dentro do PSB é outro. A conta que o grupo de João faz é que numa eleição dura, a prioridade é montar uma chapa que some voto e força política. E, nessa lógica, Eduardo da Fonte (PP) e Miguel Coelho (UB) aparecem como peças mais interessantes. São lideranças com base eleitoral consolidada, estrutura partidária e capacidade de puxar aliados pelo interior. Marília, por outro lado, carrega um histórico de embates com o PSB e isso ainda pesa na balança. Dentro do grupo socialista, muita gente acha difícil abrir espaço para quem já esteve do outro lado da trincheira…
DICHE OU NÃO DICHE? – Corre pelos bastidores da política pernambucana uma história que tá dando o que falar. Segundo relatos, o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) teria dito, em conversa reservada com colegas do partido, que a governadora Raquel Lyra (PSD) “não ganha” a eleição de 2026 e ainda teria soltado, em tom de ironia: “Quem topa abandonar esse barco?” A conversa teria acontecido numa reunião discreta com deputados do PP, onde também se comentou que o cenário poderia favorecer o prefeito do Recife, João Campos (PSB). Agora fica a dúvida que corre nos corredores da política: Dudu falou isso mesmo ou a história foi aumentada para botar fogo no parquinho? Em tempo de pré-eleição, qualquer cochicho vira manchete. E tem muita gente que adora espalhar faísca…
PMs SEM ASSISTÊNCIA MÉDICA – Setores da direita seguem cobrando Raquel Lyra. A ex-cabo Aênia e o deputado federal Coronel Meira (PL) têm levantado a voz quando o assunto é a situação da saúde dos policiais e bombeiros em Pernambuco. A bronca é grande. Eles dizem que o SISMEPE está praticamente falido, que no interior muitos PMs não têm convênios médicos e que o hospital da Polícia Militar vive uma situação complicada. Pra completar, ainda reclamam dos salários defasados e da falta de atenção do governo com a tropa. Entre os militares, o sentimento que se escuta é de abandono. Muita gente diz que a assistência médica piorou e que faltou mais presença do governo nessa área….
