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Coluna do Itamar França

DUELO SEM FAVORITO – A cada nova pesquisa divulgada em Pernambuco, um lado comemora e o outro tenta explicar os números. O fato é que os levantamentos mais recentes confirmam uma realidade: a disputa entre a governadora Raquel Lyra e o ex-prefeito João Campos segue extremamente equilibrada. Na pesquisa Ipespe Raquel aparece com 44% contra 42% de João no cenário estimulado, uma diferença de apenas dois pontos, dentro da margem de erro.

Já no levantamento do Instituto Múltipla, divulgado logo em seguida, o quadro se inverteu: João surge com 43% e Raquel com 38%, também dentro de uma disputa bastante apertada. A verdade é que Pernambuco vive hoje um cenário de empate técnico, onde pequenas oscilações podem colocar um ou outro candidato numericamente na frente dependendo da metodologia, período de coleta e perfil dos entrevistados.

Nos últimos meses, já houve pesquisas mostrando João com vantagem mais confortável, enquanto outras apontaram crescimento de Raquel e redução da distância. O resultado dessa “guerra dos números” é uma alternância constante de liderança, sem que nenhum dos dois consiga abrir uma vantagem capaz de ser considerada definitiva.

A leitura mais prudente dos levantamentos é que tanto Raquel quanto João possuem forças eleitorais consolidadas. A governadora conta com a visibilidade da máquina estadual e com entregas do governo. João, por sua vez, mantém forte recall eleitoral, alta popularidade na capital e peso político do grupo socialista.

Por enquanto, as pesquisas mostram mais semelhanças do que diferenças. A eleição continua aberta, polarizada e sem favorito absoluto. É como sempre diz o amigo Toninho Valadares: “Duelo sem farito”. Quem procura uma tendência definitiva ainda terá que esperar os próximos capítulos dessa disputa que promete ser decidida nos detalhes…

UM CENÁRIO PARECIDO… – Guardadas as devidas proporções, a disputa pelo Governo de Pernambuco lembra a eleição presidencial de 2022. De um lado, uma governadora que tem a máquina administrativa e o desafio de buscar a reeleição. Do outro, um adversário que tenta retornar ao comando do Estado. João aposta na aproximação com o presidente Lula para fortalecer sua candidatura e ampliar seu alcance entre eleitores alinhados ao governo federal. Já Raquel mantém uma estratégia mais voltada para reunir apoios de diferentes correntes políticas, buscando dialogar tanto com setores da direita quanto do centro político. A grande semelhança com 2022 talvez não esteja nos candidatos, mas no ambiente eleitoral: uma disputa polarizada, sem favorito absoluto e com cada pesquisa servindo de combustível para os dois lados.

UMA PERDA QUE PESA… – A decisão do ex-prefeito de Custódia, Manuca, de deixar o projeto político do deputado federal Waldemar Oliveira para apoiar Fernando Monteiro caiu como um balde de água fria no Avante. Na prática, não foi apenas a saída de uma liderança, mas a perda de um importante puxador de votos numa região estratégica.

Os números ajudam a explicar o tamanho do prejuízo. Em 2022, Waldemar Oliveira recebeu 10.466 votos em Custódia, mais do que na própria terra natal, onde obteve 8.112 votos. Boa parte desse resultado teve influência direta da força política de Manuca no município.

Além de perder votos para a chapa proporcional, o Avante também perde musculatura política. Não é fácil encontrar lideranças com a capacidade de transferência de votos e o peso eleitoral que Manuca possui no Sertão.

Faltando pouco mais de um ano para a eleição, a missão de Waldemar e do Avante será buscar novas alianças para compensar essa baixa. No mundo da política, perder um aliado forte é sempre ruim. Perder um aliado que entrega votos é pior ainda.

O PESO DOS OLIVEIRAS… – A saída de Manuca para o grupo de Fernando Monteiro representa uma perda para Waldemar Oliveira, mas não diminui a importância dos irmãos Oliveira dentro da base da governadora Raquel Lyra. Waldemar foi leal ao governo desde o início, ocupou espaços, indicou aliados e permaneceu firme no projeto político da governadora. Já Sebastião segue sendo uma das principais lideranças do grupo governista no interior. Em meio às análises sobre ganhos e perdas, talvez esteja faltando reconhecer que, além dos votos, os Oliveira entregam algo raro na política: articulação, presença regional e fidelidade. Eles podem até não expressar, ams por dentro estão pra lá de feridos…

A CONTA DO SENADO – Pesquisas mostram Marília Arraes mantendo a liderança na corrida pelo Senado. A grande dúvida, porém, é saber se o eleitor vai acompanhar as chapas majoritárias “de cabo a rabo”, como diz o matuto, ou se vai separar os votos na hora de escolher seus senadores. Nesse cenário, a disputa pela segunda vaga promete ser uma das mais interessantes da eleição. Humberto Costa aparece à frente, mas vê Miguel Coelho cada vez mais próximo. Com Anderson Ferreira mirando a Câmara Federal, Miguel pode herdar boa parte do eleitorado de direita e do campo oposicionista, fortalecendo sua caminhada. Faltando ainda um bom tempo para a eleição, uma coisa parece certa: enquanto Marília larga na frente, a segunda cadeira do Senado continua completamente em aberto.

 

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