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COLUNA DO ITAMAR FRANÇA

UM PÉ LÁ E OUTRO CÁ… – O ex-vereador José Edson ferreira, Zé Negão (Podemos) ficou com um pé dentro e outro pé fora da Frente Popular, depois do anúncio do ex-deputado federal Sílvio Costa como primeiro suplente de Teresa leitão (PT) na chapa do senado. Amigo pessoal de Silvinho, João Paulo Costa, a quem apoio para a Assembleia Legislativa, Zé Negão também goza do prestígio do velho que o convidou para coordenar a campanha de Tereza na região do Pajeú. Pré-candidato a deputado federal pelo partido Podemos, ele agora transitará nas duas frentes políticas. Houve até quem o convidasse para integrar a Frente Popular por inteiro, mas o Negão não disse sim, nem ‘tombém’ diche não!

CRITICOU – Em suas redes sociais (Instagran e facebook) o deputado federal e pré-candidato ao governo do estado, Danilo Cabral (PSB) criticou o presidente da república Jair Bolsonaro (PL) que segundo Cabral, além da Covid-19, o liberal desprezou vidas nas tragédias de São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro. Danilo acusa Bolsonaro de usar as chuvas de Pernambuco como palanque. “A ajuda do governo federal é sempre bem-vinda, mas é uma absurdo tentar tirar proveito eleitoral em cima de uma catástrofe”, escreveu.

PÉ NA ESTRADA – Na coligação do PSB, em busca de votos, é cada um correndo mais do o outro. O deputado estadual Paulo Dutra que tenta a recondução do cargo para a Assembleia Legislativa de Pernambuco – Alepe, colocou o pé na estrada e no final de semana esteve no interior do estado, nos municípios de Arcoverde e Buíque, onde discutiu políticas públicas para os jovens. A participação junto ao ‘coletivo Juventudes’, como ele o intitula, reuniu lideranças juvenis.

TÁ NA HORA – Com o aumento no número de novos casos Covid-19 no Brasil, está na hora de as autoridades de saúde recomendar o uso de máscara em locais fechados. Se não tomarem uma inciativa nesse sentido, vai ter internações que só a molesta depois dos festejos juninos, inda mais com esse exagero de gasto público com atrações caríssimas, dinheiro que poderia ser investido na saúde, educação e infraestrutura. Tem gente que só a gota, atrasados com a dose de reforço!

5 MIL REAIS – Um homem que teve o seus dados pessoais alterados, como o nome social modificado para “Zé Buceta da Silva”, na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) digital receberá uma indenização no valor de R$ 5 mil do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A decisão é do Juiz Federal Antônio André Muniz Mascarenhas de Souza, da 1ª vara-gabinete do Juizado Especial Federal de São José dos Campos, São Paulo (TRF3).

ATITUDE – Todo líder possui uma qualidade notável: a de antever possibilidades, quando os outros só veem restrições. Dois casos clássicos demonstram a capacidade estratégica de um líder. O primeiro envolve Alexandre Magno. Quem conseguisse desatar o nó que unia o jugo à lança do carro de Górdio, rei da Frígia, dominaria a Ásia. Muitos tentaram. Foram a Alexandre. Ele tinha duas opções: desatar o nó ou cortá-lo com a espada. Optou pela via mais rápida e certeira com um golpe forte. Sabia que perderia tempo tentando desatá-lo. Assim, o político deve ter atitude, sem se importar com o sacrifícios que encontrarão pela frente. Se pensar muito e não passar a faca no nó, ficará chupando dedo e sempre subalterno a pessoas muitas vezes, incompetentes!

MULTADOS – Marília Arraes e Victor Fialho, da coordenação de sua campanha, foram punidos pelo TRE, por conta de mensagens em outdoor, na Região Metropolitana do Recife, quando do aniversário da capital. O Tribunal entendeu que houve propaganda eleitoral antecipada e multou os dois no valor de R$ 8 mil. O setor jurídico da pré-candidata vai recorrer ao TSE, pois nos cartazes não havia nenhuma referência à eleição, nem pedido explícito ou implícito de voto. “Os outdoors apenas trouxeram mensagem parabenizando o Recife, no seu aniversário”, é a defesa.

QUEM FICA COM COIMBRA? – Em Tabira, cidade onde nasceu o ex-prefeito de Afogados da Ingazeira, José Patriota (PSB), quem o apoia para deputado estadual? O nome mais comentado é o do advogado e ex-secretário municipal, Flávio Marques (PT), que até agora não anunciou. Se Bastião já declinou voto ao seu pré-candidato e as demais lideranças ligadas ao ex-prefeito também, resta somente Flávio Marques, que para deputado federal já tem compromisso com Carlos Véras (PT). O vereador Pipi da Verdura (PSB) deve votar em Coimbra. Os demais do PSB tabirense, a exemplo de Zé de Bira e companhia, deve votar em Paulo Jucá (PSB) que também concorre a Alepe.

CAUSOS & CONTOS

A BOLA DE COURO DE TOTONHO…

Reiteradas vezes me referi ao neto de Seu Zeca Pereira, nosso ex-prefeito como “coronel”, e tantas vezes o fiz que, ao que parece, tornou-se uso geral no município e região. É voz corrente, como diz o ditado, que “quem sai aos seus não degenera”, mas como em tudo há exceções, o nosso coronel é a antítese do seu falecido avô, pessoa de quem privei da amizade quando eu era criança e junto com toda a molecada, filhos de ferroviários, nascida e criada na Rua da Estação, caçávamos passarinhos, preás, brincávamos de índio e furtávamos frutas em suas terras.

Seu Zeca era um enigma. Ao mesmo tempo em que vigiava seu pomar, rico em mangueiras, gravioleiras, pinheiras, cajueiros e goiabeiras, quando nos encontrava na plataforma da estação, aonde ia diariamente ver a passagem dos trens de passageiros, nos perguntava pelo estado de maturidade da fruta da época.

Dizia Seu Zeca: – Limeirinha, as mangas já estão boas prá mandar pros meninos no “Ricifi”?

Limeirinha respondia: – Tão não Seu Zeca, ainda não tão nem inchadas, vai mais uns 15 dias.

Retrucava Seu Zeca, sério: – Olhe lá rapaz! Quando estiverem boas avise que é prá mandar despachar um caixote de mangas pros meninos em “Ricifi”.

– Pode deixar Seu Zeca, pode deixar…
Assim é que Limeirinha, Eraldo, Paulo e Aluisio Gomes, Nelson, Lídio e João Lucena, Genecy, Genival e Gildo Feitosa, Luciano e Cacá Cabral e vários outros, colhíamos frutas para os tais caixotes “pros meninos em Ricifi” nas mesmas fruteiras onde fazíamos como diz o gaúcho, “a serventia no alheio”.

Nas férias escolares, principalmente nos finais de ano, os tais “meninos do Ricifi” apareciam em Afogados. Era uma turma curiosa, boas roupas, bons brinquedos, bicicletas novas, cabelos bem cortados, sapatos brilhando, mas nunca os vi na casa de quem lhes mandava os caixotes de frutas, acho que tinham medo de carrapicho nas roupas bonitas. Eles tinham de tudo, inclusive um time de futebol com uniformes e bola de couro, o BAC (Balalaica Atlético Clube). Na minha ignorância de infante matuto, achava engraçado o termo e só muito depois fui descobrir que balalaica é instrumento musical de cordas, semelhante ao banjo, e usado por um dos personagens do clássico de cinema Dr. Jivago. Além de ricos, os “meninos do Ricifi” eram intelectualizados, digo, atualizados com as artes e a literatura.

Mas, voltando à bola de couro do Balalaica e aos treinos promovidos por eles, num antigo campo que havia perto da delegacia, ali, por trás do antigo Ginásio Industrial. Nesses treinos, apesar dos meninos do “Ricifi” sempre trazerem amigos da capital, sempre faltavam jogadores para completar os times e foi nessas ocasiões que se revelou e creio se consolidou, o caráter autoritário de nosso Coronel, o danado, como o “dono da bola”, aquela maravilha em couro que todos queriam chutar, além de escalar os jogadores do seu time, queria, batia o pé, fazia questão de escalar os jogadores do time adversário, e se assim não fosse, ele colocava a bola debaixo do braço e ia embora, não tinha treino.

Como não há bem que sempre dure nem mal que nunca de acabe, um belo dia, a gangue da Rua da Estação planejou e colocou em prática a “expropriação” daquele objeto tão cobiçado. Digo expropriação, pois estávamos em pleno período revolucionário, acompanhávamos pelo rádio as aventuras de Che Guevara, Carlos Lamarca, admirávamos Marighela e o Comandante Mao com seu Livro Vermelho, afinal, éramos do proletariado, filhos da classe operária, de ferroviários nordestinos, cujo sindicato, presidido por Claudio Braga promoveu inúmeras paralisações dos trens, tanto na capital quando no interior. Quem tem mais de cinqüenta janeiros como eu tenho, sabe que em todo aquele plano inclinado desde defronte da casa de Zezé Rodrigues até a frente do antigo hospital não havia nada construído, era um matagal só, onde o mata-pasto media mais de 2 metros de altura.

Então, num desses treinos, a bola do Coronel foi chutada para dentro do mata-pasto e desapareceu “misteriosamente”, por mais que se procurasse. Somente ressurgiu depois que os meninos voltaram para o “Ricifi”, daí por diante, serviu de instrumento para as mais calorosas e animadas peladas na esplanada da estação e no campo do Ferroviário, aquele dentro do viradouro, no caminho da Pitombeira.

Hoje, o Coronel é ex-prefeito, mas já foi “o dono-da-bola”. Gilberto Moura

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