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Novo tarifaço dos EUA ameaça derrubar em 60% as exportações de Pernambuca, alerta Fiepe

A indústria de Pernambuco enfrentará um cenário ainda mais crítico com a imposição de novas barreiras comerciais pelos Estados Unidos, como anunciado pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). Em entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, nesta quinta-feira (16/7), o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Bruno Veloso, revelou que o impacto estimado é de uma queda de 60% nas exportações pernambucanas destinadas ao mercado americano.

Bruno Veloso destacou que o prejuízo financeiro para o Estado é expressivo, considerando que, de um total de U$ 130 milhões em exportações, aproximadamente 60% serão diretamente impactados pelas novas taxas. Ao contrário de outras regiões focadas em commodities e agronegócio, Pernambuco possui uma base industrial robusta que sofre de forma diferenciada com o tarifaço.

O presidente da Fiepe alertou que essa mudança atinge a lucratividade dos produtores locais, que já haviam enfrentado pressões no ano passado para reduzir margens de lucro a fim de manter a competitividade dos produtos para o consumidor final nos EUA.

Apesar da exclusão de quase 2.500 produtos, a lista de itens atingidos abrange itens vitais da economia pernambucana, como açúcar, uva fresca, inhame, peixes e sucos, além de quase toda a produção da região do São Francisco, com exceção da manga, único produto que permaneceu isento.

“A manutenção dessas taxas inviabiliza comercialmente alguns produtos ou reduz drasticamente a margem de lucro tanto do exportador quanto do agente americano. O setor sucroalcooleiro, pilar econômico de Pernambuco e do Nordeste, é um dos mais preocupados, especialmente diante da nova lista encabeçada pelo etanol e das restrições às cotas de exportação para os EUA”.

FIEPE / reprodução
Fiepe alertou que essa mudança atinge a lucratividade dos produtores locais, que já haviam enfrentado pressões no ano passado para reduzir margens de lucro a fim de manter a competitividade dos produtos para o consumidor final nos EUA – FIEPE / reprodução
Diante da inércia do governo federal, que Veloso descreveu como estando “quase de braços cruzados”, a Fiepe tem buscado atuar de forma independente em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI). A defesa comercial está sendo realizada diretamente na justiça americana, apresentando dados técnicos para contestar a aplicação da Seção 301, que fundamenta as sanções.

Para o setor privado, a falta de uma ponte diplomática eficaz tem deixado as indústrias locais em uma posição de vulnerabilidade sem precedentes frente às decisões unilaterais de Washington. “Infelizmente, a discussão tem ocorrido excessivamente no âmbito político, deixando para as empresas e trabalhadores a conta de uma relação diplomática desgastada e marcada pela ausência de diálogo entre os dois países”, avaliou ao ser questionado sobre o tema.

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